segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

TOPONÍMIA NEXENSE


A presente postagem resulta duma pesquisa efetuada aos trabalhos de Helena Pires e José P. Machado relacionados com a toponímia do concelho de Faro, dos quais selecionei e vou partilhar muito sinteticamente, os relacionados com a freguesia de S. B. Nexe.

         A palavra Nexe, que aparece referenciada pela primeira vez em 1291, continua ainda por descobrir a sua origem, havendo opiniões muito diferentes e que eu passo a citar; Diz por exemplo S. Baçam, ser Nexe uma corrupção de Nexo, que significa conexão ou ligação, enquanto J. Pedro Machado diz ter origem em Nexum, substantivo de proveniência romana e que significa “ameixeira”, ou ainda o Pe. J. Cabrita, que diz que Nexe provem do árabe Naxa, a "produtiva". 
     Ainda sobre este topo, existe aqui uma outra opinião. Diz o Prof. Batalha Gouveia, Nexe pode derivar de Naxos, ilha grega no mar Egeu que tem uma pedra muito semelhante à de Santa Bárbara de Nexe, e poderá ter chegado aqui através de colonos daquele país.

 Como é sabido, a divisão administrativa da freguesia de S. B. Nexe, esta é feita por 19 Sítios, denominação que data do início do Séc. XVIII, e que significa uma determinada porção de terra em que predomina o habitat disperso, sem qualquer limite de moradores, e que já existiam muito antes da criação da paróquia, e eram conhecidos por "Cotios", chegando esta a registar quase uma centena deles até à chegada do Pe. Manuel da Luz no início do séc. XVIII, que passou a mencionar somente 19 nos livros de registos da igreja, e que são os que ainda hoje temos. 

AGOSTOS: Também se encontra na freguesia de Boliqueime “Agostas”. Estará este relacionado com o oitavo mês do ano ou com algum apelido, que é raro. Este sítio já era referenciado em 1461, e no seu espaço encontram-se os lugares de “Cruz de Pau” e “Olhos de Água”.

ALDEIA: Muito frequente noutras regiões de Portugal, diz-se de origem árabe, e significa para nós,  pequena povoação. Na nossa freguesia terá nascido com o 1º aglomerado habitacional no lugar da Silveira, e daí o topo “Aldeia”, existindo aqui neste sítio outros lugares conhecidos por: Remexidas e Barros da Torre

BENATRITE: (Bená-trit), nome totalmente desconhecido na toponímia portuguesa. O seu nome poderá ter origem árabe; “Berbere”. Este sítio já era referenciado em 1518, e na sua área encontra-se os lugares da Canada e Vale-sono..

BORDEIRA: (Búrdera), topo derivado de borda e que também existe no concelho de Aljezur. A primeira referência a este sítio data de 1567, e segundo a opinião de alguns moradores, entre outras, o nome terá tido origem no 1º núcleo habitacional do sítio, Eira da Tenda “Bord’eira”. Aqui encontramos os lugares de Cocheira, Fonte, Parreiras, Barranco, Além, Raposeiras e Mato dos Pinheiros, e é o segundo mais povoado da freguesia.

CANAL: A maioria diz que o nome pode ter derivado de cana, canaviais. Regista-se este topo também na freguesia de Odeceixe. Neste sítio foram encontrados vestígios islâmicos, sobretudo a introdução da alfarrobeira, amendoeira e laranjeira. No seu espaço temos os lugares do Brejo e Alagoas e parte dele pertenceu ao concelho de Loulé até 1836.

CHARNECA: Significa terreno inculto, árido onde só cresce tojos, espinheiros, plantas rasteiras e etc., e aparece em quase duas dezenas de localidades algarvias.

COLMEAL: Topo que deriva de colmeia, e é muito comum na região. Já em 1411 se regista o lugar, onde havia courelas de figueiras e certamente se criavam abelhas. Neste sítio, por onde passava a antiga estrada romana, existe os poços do Colmeal e que serão únicos na toponímia portuguesa.

FALFOSA: Nome que não é conhecido outro na toponímia portuguesa a não ser Falfeira em Lagos. Estará o mesmo relacionado com alfalfa?, mais conhecida por luzerna, forragem para o gado. Neste sítio temos os lugares de Escorregadia e Pinheiros

GOLDRA: Que parece ser uma deformação de Gontham, situa-se a norte do cerro de Nexe e já é referenciado em 1258. Pertenceu até 1836 ao concelho de Loulé e daí hoje haver, Goldra de Cima e Goldra de Baixo.

GORJÕES: (Gurjam) Carreta sem rodas e que aparece também como apelido de família. Este sítio aparece referenciado pela 1ª vez em 1479 nas atas municipais de Loulé, concelho a que pertenceu até 1836, onde diz habitar um agregado familiar com o apelido “Gorjam”. Há quem defenda que a origem do nome pode estar relacionada com os pássaros que por ali haviam e que gorgojavam muito e daí o topo. Aqui encontram-se os lugares do Alto, Arrunhado, Caramujeira, Cerro do Lobo, Estanco, Santa Catarina e outros mais.

IGREJA: Existem centenas de casos deste vocábulo na toponímia portuguesa, muitos deles no Algarve. Neste sítio situa-se a sede de freguesia, Santa Bárbara de Nexe, e nele existem os lugares da Bajanca, Jordana, Nora, Recova e outros. Este sítio aparece pela 1ª vez referenciado sítio da Igreja em 15 de dezembro de 1698, até aí mencionado como “Pé da Igreja” ou “Por Baixo da Igreja”.

LADEIRA: Este sítio, o menos povoado da freguesia, situa-se naquilo que significa, inclinação, encosta, declínio. Existem na toponímia portuguesa cerca de uma centena de casos e muitos deles no Algarve. Este sítio foi referenciado pela primeira vez em 1411, e em 1514 volta de novo a ser referenciado para o Rei D. Manuel I pedir perdão a um seu habitante, Vasco Vicente.

LARANJEIRA: Este sítio, já referenciado em 1504, localiza-se a norte do sítio da Igreja e o seu nome, que é pouco frequente, embora exista aqui perto, “Laranjeiro” na Conceição de Faro, terá surgido devido à existência, certamente, de uma arvore tão rara na altura, laranjeira, no local. A “laranjeira” é de origem chinesa e foi introduzida na Europa pelos árabes.

MEDRONHAL: Nome que deriva de medronho e é o lugar onde crescem e reproduzem os medronheiros. Consta que este topo não se regista no centro e norte do país, existindo no Algarve cerca de uma dúzia de casos.

PALHAGUEIRA: Este sítio situado a norte da sede da freguesia, é o único conhecido no Algarve, e  pouco mais de meia dúzia se registam no país. Este nome poder ter alguma relação com palha.

PÉ DO SERRO: Situado na encosta a sul do cerro de Nexe onde alcança uma altitude de 328 metros. Existe um outro caso em Odemira, e Pés de Cerro na freguesia de Moncarapacho. Neste sítio localiza-se a chamada também, "Gruta do Algueirão", e até 1836 fez parte do concelho de Loulé.

POÇO MOURO: Ou Poço do Mouro, topo que remontará aos primeiros séculos da posse do local pelos portugueses. Consta que existe outro em Relíquias, Odemira. O seu nome terá origem num poço que existia ao centro do caminho da Relva, (CM 1308), a trezentos metros do Largo do Rossio, e hoje situado no interior do logradouro da Junta de Freguesia de S. B. Nexe. Regista-se aqui os lugares da Horta da Palmeira e Relva.

TELHEIRO: Este topo está relacionado com o fabrico de telhas e na realidade existiu nele até aos anos setenta um telheiro em atividade, que terá dado, certamente, o nome ao sítio.

VALADOS: Vocábulo que significa muro de pedra solta que serve para cercar qualquer quinta ou propriedade. Este sítio que contém muitos destes muros, e fez parte do concelho de Loulé até 1836, localiza-se em plena encosta sul a poente do cerro de Nexe. Como sítio são conhecidos cerca de quatro dezenas de casos na toponímia portuguesa e só mais um no Algarve, em Loulé. 

Coelho Mestre



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segunda-feira, 6 de abril de 2026


 CHAMINÉ ALGARVIA em Terras de Nexe


  • Santa Barbara de Nexe, é âmago da região algarvia, em que o culto da chaminé da casa se  tem mantido.

  • A sua origem recua ao Séc. XII, e seu nome deriva de “Caminus”, palavra que os latinos usavam para designar ”cano”, local por onde saia o fumo das cozinhas, fornos ou forjas.

Consideradas como um marco destacável à distância,  sempre bem visível sobre os telhados, por entre amendoeiras, alfarrobeiras, oliveiras e outras arvores, são joias de bom gosto, revelando um trabalho criativo que resulta em espetáculo e fascínio e, que era um desafio à capacidade dos mestres pedreiros, que sem quaisquer recursos a um projeto, as concebiam.

Em S. B. Nexe, encontram-se por toda a freguesia de todos os tamanhos, formas e feitios; retangulares, quadradas, redondas, semiesféricas, sextavadas, cónicas, estreitas ou largas, baseadas no bom gosto e no valor de quem as mandava fazer, resultando daí uma cúpula, minarete, pombal, adufa, cata-vento, ranhuras ou rendilhadas, sendo ainda algumas delas epigrafadas com a data de construção da casa.

Estas obras de arte eram construídas a partir de uma base sobre o telhado, normalmente de caliço, cal e alguma areia na sua estrutura. A sua ornamentação, na área da ventilação, era feita à base de telha, tijolos ou ladrilhos, material utilizado na construção, e algumas exibiam no topo um lindo cata-vento. A partir da década de 50 do século passado, esta arte foi abandonada e substituída por réplicas de cimento ou de cerâmica que se adquirem nas lojas de materiais de construção civil ou artesanato, e que servem também de candeeiros, apliques de parede ou lanternas de jardim.

Depois de um inventário feito há anos atrás, leva-me em crer, ser S. B. Nexe uma das freguesias do Algarve onde se regista, provavelmente, a maior concentração destas obras de arte, bastante artísticas, imponentes e diversificadas das mais variadas formas e tipologia, que faziam parte da vida do nosso povo.

Hoje existem ainda na freguesia mais de duas centenas destes exemplares, com uma média de cinco por quilómetro quadrado, dos quais, cerca de 20% encontram-se em ruínas ou para lá caminham por se encontrarem em casas abandonadas ou já em ruínas, e que hoje se exige a sua preservação. Pois cada uma que desaparece a freguesia fica mais pobre.         

A chaminé faz parte também da simbologia heráldica de algumas freguesias do Algarve como; Almancil, Boliqueime ou Ferreiras e, durante três décadas ela foi também o símbolo turístico da Região. Também ela está presente em muitos logótipos de instituições e empresas da região.

Coelho Mestre


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domingo, 5 de abril de 2026

 

Santa Barbara de Nexe

o

Santa Barbara de Nexe,  uma das  seis  freguesias  do concelho de  Faro, composta  por 19 

sítios com uma área total de 42,312 km2 e um perímetro de cerca de 38 km. que corresponde a uma facção territorial de 20,43% do concelho e 0,80% do distrito. A extensão máxima entre extremos é de 8,9 km no sentido Norte / Sul 8,8 km, e de 9,7 km. Este / Oeste e a sua população é de 4.376 almas alojadas em 3.022 fogos, segundo o censo de 2021.

Esta pitoresca freguesia, que se encontra inserida geograficamente na zona de transição entre o litoral e o barrocal algarvio, ou seja, entre o mar e a serra, num vale entre dois cerros, Guelhim e Goldra, apesar da sua pequena dimensão, apresenta alguma diversidade orográfica entre colinas, montes e vales, que vai dos 50 aos 360 metros de altitude, onde se percorre um dos mais característicos e animados trechos da paisagem algarvia, salpicados de casas brancas que sobressaem por entre a vegetação que amoldura a sua igreja e onde a sua alta torre é um autêntico marco geodésico por muitas léguas em seu redor.

Confina esta com as freguesias vizinhas de S. B. Alportel, S. Martinho de Estoi, Conceição, S. Pedro, S. Lourenço de Almancil e S. Clemente, e até à publicação do Dec. de 28 de Julho 1833, pertenceu a dois concelhos, Faro e Loulé, vindo a partir daí a ser integrada no concelho de Faro na sua totalidade.

Quanto ao seu topónimo “Nexe”, a referência escrita mais antiga que se conhece data de 26 de Junho de 1291, altura em que terá ficado definido as delimitações fronteiriças entre os dois termos, Faro e Loulé. Sobre este, as opiniões são divergentes quanto à sua origem. Enquanto para uns, Nexe provém de Nexo, corrupção do étimo latino Nexus (vínculo, conexão, ligação), há outros que contrapõem que Nexe terá tido origem em Nixum (ameixeira), substantivo de proveniência romana que, em diversos dialetos moçárabes eram usados na Península. Há ainda quem considere que o topónimo provém do árabe Naxa, (produtiva).

O nome da padroeira "Santa Bárbara", só terá sido agregado ao topónimo "Nexe", provavelmente em fins do século XIV, à semelhança de outras localidades algarvias como; São Brás de Alportel, São Bartolomeu de Messines, São Marcos da Serra ou Santa Catarina F. Bispo. 

Coelho Mestre

 

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segunda-feira, 30 de março de 2026




 

OS VIZINHOS DA MINHA ALDEIA


Estávamos em 1960, andava eu na escola, quando a nossa professora Celestina, desafiou os seus alunos a apresentarem uma redação sobre os vizinhos da nossa aldeia, ou seja, todos aqueles que habitavam no perímetro do centro urbano, conforme se vê na gravura.

Hoje passados todos estes anos, convindo a quem estiver a ler este texto, a deambular comigo neste passeio que dei por esta bonita aldeia de Santa Bárbara, caiada de branco, de artérias em calçada ou em terra batida, iluminação pública fraca, sem saneamento básico e onde existem meia dúzia de automóveis, outras tantas televisões, cinco telefones e onde o sino da torre tocava pela manhã para a missa e o relógio  tocava as horas, se lhe tivessem dado corda.

Então, saindo eu do pátio de recreio da escola e pisando o lancil, virei em direção ao Largo do Rossio, e fui identificando tudo aquilo que estava à minha direita, encontrando logo o estabelecimento de taberna e mercearia do comerciante Amadeu Guerreiro e M. Pires. (1)

Faço a esquina em direção ao nascente, e tenho logo a loja de tecidos e também mercearia do comerciante Francisco Inácio. (2) Passando este, tenho a casa do capataz de obras, José da Luz, pai da minha colega de escola, Zezinha. (3)

A seguir tenho uma passagem que dá acesso à padaria do comerciante, F. Inácio e entro na Av. Duarte Pacheco, onde está também a residência deste. (4) Pegando com esta, a casa do seu irmão António, também ele aqui estabelecido com um talho, uma funerária e um carro de praça. (5)

Aqui uma outra passagem para uma outra casa mais recuada, da família Cachopa, e a seguir uma casinha baixinha onde vive a Ti'Rana. (6) Pegado com esta a casa do construtor civil e presidente da Junta de Freguesia de S. B. Nexe, José Mendes Pereira, e também a Estação dos Correios, porta 24, onde a sua esposa, Maria Augusta, é funcionária há já alguns anos.

Depois temos a taberna de Joaquim Pereira “canito” e esposa, Augusta Luz, (7) e entro na Rua Vicente de Brito. Pegada a esta, a oficina de bicicletas de António C. Coelho, que vive por cima, no primeiro andar, e depois vem a casa do camionista, José Coelho “Enturrejão”, antigo emigrante na Venezuela, onde vive com a sua filha Fernanda.

Aqui entro no Largo Lopes Rosa, (8) de onde sai um caminho que dá acesso à casa de José Silveira (9) e ao fundo tenho a família de Joaquim R. Barreto.

Seguindo pela Rua V. Brito, tenho a oficina de bicicletas de Fernando Vicente de Brito e pegado com esta, a Junta de Freguesia e o Posto médico, portas 10/12), e a seguir o ferrador José Viegas “Salmoira”. À esquerda, o portão do antigo Lagarde azeite da família Vicente de Brito. (10)

Aqui entro pela Rua do Calvário, onde vive Lucrécia Beirão e família, cujo marido, antigo produtor de cal, está emigrado em terras de França. A seguir a esta, a casa da viúva Francisca Passinha que vive com os seus dois filhos, António e Délmira e à esquerda, já na esquina, a escola paga de Délmira Passinha. (11)

Continuo em direção ao Poço Mouro, (12) e tenho à minha direita o caminho da Bajanca, e mais à frente, a casa onde vive Maria Luisa "Ti'Marijoana" com os seus quatro netos, um deles minha colega de escola, M. Albertina. (13) Na frente desta, no outro lado da rua, o sapateiro Júlio Botelho (Julinho) (14) e a seguir a Ti'Teresa Caiada que vive com o seu filho Miguel Coelho “Lapão” e pegado a esta, mais à frente, Gertrudes Botelha e a sua afilhada Maria.

Aqui, volto para trás e tenho à minha direita um beco onde vive Emília Canelas e família, cuja filha Matilde, é também minha colega de escola, Teresa Flora, Francisco Nunes e esposa Isabel Urbano. (15) Sigo e entro pela Travessa do Calvário, tendo à esquerda, as traseiras do velho Lagar e á direita a casa e a Moagem de trigo de João Alentejano, e assim chego à estrada dos Gorjões, onde segue à minha direita um muro, (16) e pegado a este a casa do carpinteiro João Zacarias e a oficina de bicicletas de João Ramos (17) e em frente destes, no outro lado da estrada, a oficina de abegão de Virgílio Canelas. (18)

Aqui volto para trás, pela Rua Vicente de Brito e encontro, sempre à minha direita, o sapateiro Miguel Coelho e pegado a este a casa onde vive Fernando V. Brito e família, porta 9, outrora escola primária feminina.(19) Pegado com este o alfaiate e regedor da freguesia, Florival Coelho, cujo filho, Amílcar, também anda na escola comigo, seguindo-se a casa da viúva e proprietária, Tereza Brito Lopes (Terezinha de Lopes), onde vive com as suas duas auxiliares; Bárbara e Margarida. (20)

Aqui entrando na Av. Duarte Pacheco, com a torre da igreja pela minha frente, tenho à minha direita, casa do proprietário António Vidal, que pega com Terezinha Lopes, vindo depois as casas dos proprietários José Domingues, Matias Mendonça, empreiteiro Manuel J. Pinto e finalmente, a do comerciante e barbeiro, Abílio Garrochinho, (21) casa que faz esquina com a Rua Pires Laranjeira, onde vive na segunda porta desta rua, à direita, M. Glória Cavaco com os seus dois filhos, cujo marido está emigrado na Austrália. (22)

Aqui continuo em frente e entro no Largo do Rossio e tenho na casa de esquina a barbearia e depósito de tabaco do comerciante Abílio Garrochinho (23) e pegado a este a casa do barbeiro Inácio Garrochinho e de sua esposa, a modista Maria Virgilia.

Subindo uns quantos degraus, em direção ao adro da igreja, está a latoaria do farense,  Armando da Luz (Pató) (24) e a seguir vem a casa da Ti'Justina Cavaco, e na casa que pega com a igreja tenho a alfaiataria Barros. (25)

Entro no adro, contorno a torre, passo pela porta principal da igreja, à minha esquerda deixo as escadas de acesso ao Jardim Guerreiro da Ângela e na minha frente tenho a casa de Bernardina dos Santos, viúva do sapateiro Manuel Henrique, e à esquerda destas, vive o carteiro Joaquim Antão. (26)

Volto à direita, entro na Rua da Igreja e nas traseiras do templo tenho a Largo Alves da Costa, antigo pátio de recreio da escola mista, onde eu também brincava, com sua enorme palmeira ao meio, que pega com a antiga escola primária, porta 3, e residência do falecido professor José F. Leitão, e na frente desta vive o latoeiro, Ti'Carrasquinho e sua mulher Constança de Jesus. (27)

Aqui volto à esquerda e entro na Rua Pires Laranjeira, onde à minha esquerda vive a Ti'Passinha e à direita está Joaquina Padeira e a sede do Sport Clube Nexense, porta 16, (28) e a seguir vivem várias famílias como: José e Délmira Vicente “Palaio”, Graciete Figueiras, Chico Mendes, Maria Martins, Maria Clara, José da Costa e a oficina artigos fúnebres de Luís Viegas. (29)

À direita, no fundo da rua, o Caminho da Recova, com o poço dos Defuntos também à direita, (30) e aí volto à esquerda, em direção à Rua de Loulé.

A meio, à esquerda, o depósito de material do armazenista Manuel Sebastião e as escadas que dão acesso à Rua da  Igreja . Ao fim da rua, no canto à direita, a casa onde vive o ferrador Luís Viegas e esposa Piedade com as filhas (31), e na minha frente, Anófra Luz e José Condinho, e pegado a este, uma passagem e a casa do pedreiro José Palmeira e no outro lado da rua, as escadas de acesso ao Jardim G. Ângela, onde vejo ao fundo do mesmo a linda torre de ventilação da cisterna.

Aqui entro no Largo do Rossio, praça pública da aldeia, e tenho à direita a Sociedade Recreativa Nexense, porta 11, e a seguir a Casa Paroquial, porta 12, (32) onde reside agora o novo pároco, Crisante Ribas, e na frente desta, a casa de correção “cadeia” e as   escadas de acesso à igreja matriz.

Depois da Casa Paroquial e da passagem para as traseiras da mesma, vem a casa dos comerciantes José André e M. Fazenda, (33) que faz esquina com a Rua de Faro. Uma vez nesta rua, desço em direção ao cemitério, e tenho a barbearia do jovem António H. Calçada, (34) a oficina do ferrador de Luís Viegas, a residência de Manuel Jerónimo, encarregado o Registo Civil e a Ti Augusta, seguindo-se depois o Posto  do Registo Civil, porta 24. (35)

Continuando a descer tenho a casa do casal José Pedro Brito “Gurriapa” e Francisca Ladeira, comerciantes de ovos e mais abaixo a casa de Joaquim S. Faria e Gertrudes Correia. (36) Aqui atravesso a rua e tenho e tenho no outro lado a casa do latoeiro, António Cruz.

Subo a rua em direção ao Largo do Rossio, tenho à direita o Caminho do Albardeiro e a casa do albardeiro Joaquim Neto e pegando com este a casa do sapateiro J. Fonseca Padeiro. (37)

Na casa que se segue, vive a professora da escola primária feminina, D. Manuela Vairinho (38) e a seguir a uma passagem tenho as casas onde vive e trabalha o albardeiro Virgílio Rosa (39) vindo depois a porta da viúva de Manuel Neto, (Ti'Rosa Albardeira), e onde eu dou por terminado o passeio para entregar a redação à minha professora Celestina e, hoje, na posse dos leitores onde podem fazer uma comparação com atualidade.

Coelho Mestre


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 Bárbara de Nexe / Chaminé algarvia