segunda-feira, 6 de abril de 2026


 CHAMINÉ ALGARVIA em Terras de Nexe


  • Santa Barbara de Nexe, é âmago da região algarvia, em que o culto da chaminé da casa se  tem mantido.

  • A sua origem recua ao Séc. XII, e seu nome deriva de “Caminus”, palavra que os latinos usavam para designar ”cano”, local por onde saia o fumo das cozinhas, fornos ou forjas.

Consideradas como um marco destacável à distância,  sempre bem visível sobre os telhados, por entre amendoeiras, alfarrobeiras, oliveiras e outras arvores, são joias de bom gosto, revelando um trabalho criativo que resulta em espetáculo e fascínio e, que era um desafio à capacidade dos mestres pedreiros, que sem quaisquer recursos a um projeto, as concebiam.

Em S. B. Nexe, encontram-se por toda a freguesia de todos os tamanhos, formas e feitios; retangulares, quadradas, redondas, semiesféricas, sextavadas, cónicas, estreitas ou largas, baseadas no bom gosto e no valor de quem as mandava fazer, resultando daí uma cúpula, minarete, pombal, adufa, cata-vento, ranhuras ou rendilhadas, sendo ainda algumas delas epigrafadas com a data de construção da casa.

Estas obras de arte eram construídas a partir de uma base sobre o telhado, normalmente de caliço, cal e alguma areia na sua estrutura. A sua ornamentação, na área da ventilação, era feita à base de telha, tijolos ou ladrilhos, material utilizado na construção, e algumas exibiam no topo um lindo cata-vento. A partir da década de 50 do século passado, esta arte foi abandonada e substituída por réplicas de cimento ou de cerâmica que se adquirem nas lojas de materiais de construção civil ou artesanato, e que servem também de candeeiros, apliques de parede ou lanternas de jardim.

Depois de um inventário feito há anos atrás, leva-me em crer, ser S. B. Nexe uma das freguesias do Algarve onde se regista, provavelmente, a maior concentração destas obras de arte, bastante artísticas, imponentes e diversificadas das mais variadas formas e tipologia, que faziam parte da vida do nosso povo.

Hoje existem ainda na freguesia mais de duas centenas destes exemplares, com uma média de cinco por quilómetro quadrado, dos quais, cerca de 20% encontram-se em ruínas ou para lá caminham por se encontrarem em casas abandonadas ou já em ruínas, e que hoje se exige a sua preservação. Pois cada uma que desaparece a freguesia fica mais pobre.         

A chaminé faz parte também da simbologia heráldica de algumas freguesias do Algarve como; Almancil, Boliqueime ou Ferreiras e, durante três décadas ela foi também o símbolo turístico da Região. Também ela está presente em muitos logótipos de instituições e empresas da região. Coelho Mestre


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domingo, 5 de abril de 2026

 

Santa Barbara de Nexe

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Santa Barbara de Nexe,  uma das  seis  freguesias  do concelho de  Faro, composta  por 19 

sítios com uma área total de 42,312 km2 e um perímetro de cerca de 38 km. que corresponde a uma facção territorial de 20,43% do concelho e 0,80% do distrito. A extensão máxima entre extremos é de 8,9 km no sentido Norte / Sul 8,8 km, e de 9,7 km. Este / Oeste e a sua população é de 4.376 almas alojadas em 3.022 fogos, segundo o censo de 2021.

Esta pitoresca freguesia, que se encontra inserida geograficamente na zona de transição entre o litoral e o barrocal algarvio, ou seja, entre o mar e a serra, num vale entre dois cerros, Guelhim e Goldra, apesar da sua pequena dimensão, apresenta alguma diversidade orográfica que vai dos 50 aos 360 metros de altitude, onde se percorre um dos mais característicos e animados trechos da paisagem algarvia, salpicados de casas brancas que sobressaem por entre a vegetação que amoldura a sua igreja e onde a sua alta torre é um autêntico marco geodésico por muitas léguas em seu redor.

Confina esta com as freguesias vizinhas de S. B. Alportel, S. Martinho de Estoi, Conceição, S. Pedro, S. Lourenço de Almancil e S. Clemente, e até à publicação do Dec. de 28 de Julho 1833, pertenceu a dois concelhos, Faro e Loulé, vindo a partir daí a ser integrada no concelho de Faro na sua totalidade.

Quanto ao seu topónimo “Nexe”, a referência escrita mais antiga que se conhece data de 26 de Junho de 1291, altura em que terá ficado definido as delimitações fronteiriças entre os dois termos, Faro e Loulé. Sobre este, as opiniões são divergentes quanto à sua origem. Enquanto para uns, Nexe provém de Nexo, corrupção do étimo latino Nexus (vínculo, conexão, ligação), há outros que contrapõem que Nexe terá tido origem em Nixum (ameixeira), substantivo de proveniência romana que, em diversos dialetos moçárabes eram usados na Península. Há ainda quem considere que o topónimo provém do árabe Naxa, (produtiva).

O nome da padroeira "Santa Bárbara", só terá sido agregado ao topónimo "Nexe", provavelmente em fins do século XIV, à semelhança de outras localidades algarvias como; São Brás de Alportel, São Bartolomeu de Messines, São Marcos da Serra ou Santa Catarina F. Bispo. Coelho Mestre

 

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segunda-feira, 30 de março de 2026



 


OS VIZINHOS DA MINHA ALDEIA 

Estávamos em 1960, andava eu na escola, quando a nossa professora Celestina, desafiou os seus alunos a apresentarem uma redação sobre os vizinhos da nossa aldeia, ou seja, todos aqueles que habitavam no perímetro do centro urbano, conforme se vê na gravura.

Hoje passados todos estes anos, convindo a quem estiver a ler este texto, a deambular comigo neste passeio que dei por esta bonita aldeia de Santa Bárbara, caiada de branco, de artérias em calçada e de terra batida, iluminação pública fraca, sem saneamento básico e onde existem meia dúzia de automóveis, outras tantas televisões, cinco telefones e onde o sino tocava pela manhã para a missa e o relógio da torre, só tocava horas, se lhe dessem corda.

Então, saindo eu do pátio de recreio da escola e pisando o lancil, virei em direção ao Largo do Rossio, e fui identificando tudo aquilo que estava à minha direita, encontrando logo o estabelecimento de taberna e mercearia do comerciante Amadeu Guerreiro e M. Pires. (1)

Faço a esquina em direção ao nascente, e tenho logo a loja de tecidos e também mercearia do comerciante Francisco Inácio. (2) Passando este, tenho a casa do capataz de obras, José da Luz, pai da minha colega de escola, Zezinha. (3)

A seguir tenho uma passagem que dá acesso à padaria do comerciante, F. Inácio e entro na Av. Duarte Pacheco, onde está também a residência deste. (4) Pegando com esta, a casa do seu irmão António, também ele aqui estabelecido com um talho, uma funerária e um carro de praça. (5)

Aqui uma outra passagem para uma outra casa mais recuada, da família Cachopa, e a seguir uma casinha baixinha onde vive a Ti Rana. (6) Pegado com esta a casa do construtor civil e presidente da Junta de Freguesia de S. B. Nexe, José Mendes Pereira, e também a Estação dos Correios, porta 24, onde a sua esposa, Maria Augusta, é funcionária há já alguns anos.

Depois temos a taberna de Joaquim Pereira “canito” e esposa, Augusta Luz, (7) e entro na Rua Vicente de Brito. Pegada a esta, a oficina de bicicletas de António C. Coelho, que vive por cima, no primeiro andar, e depois vem a casa do camionista, José Coelho “Enturrejão”, antigo emigrante na Venezuela, onde vive com a sua filha Fernanda.

Aqui entro no Largo Lopes Rosa, (8) de onde sai um caminho que dá acesso à casa de José Silveira (9) e ao fundo tenho a família de Joaquim R. Barreto.

Seguindo pela Rua V. Brito, tenho a oficina de bicicletas de Fernando Vicente de Brito e pegado com esta, a Junta de Freguesia e o Posto médico, portas 10/12), e a seguir o ferrador José Viegas “Salmoira”. À esquerda, o portão do antigo Lagarde azeite da família Vicente de Brito. (10)

Aqui entro pela Rua do Calvário, onde vive Lucrécia Beirão e família, cujo marido, antigo produtor de cal, está emigrado em terras de França. A seguir a esta, a casa da viúva Francisca Passinha que vive com os seus dois filhos, António e Délmira e à esquerda, já na esquina, a escola paga de Délmira Passinha. (11)

Continuo em direção ao Poço Mouro, (12) e tenho à minha direita o caminho da Bajanca, e mais à frente, a casa onde vive Maria Luisa "Ti Marijoana" com os seus quatro netos, um deles minha colega de escola, M. Albertina. (13) Na frente desta, no outro lado da rua, o sapateiro Júlio Botelho (Julinho) (14) e a seguir a Ti Teresa Caiada que vive com o seu filho Miguel Coelho “Lapão” e pegado a esta, mais à frente, Gertrudes Botelha e a sua afilhada Maria.

Aqui, volto para trás e tenho à minha direita um beco onde vive Emília Canelas e família, cuja filha Matilde, é também minha colega de escola, Teresa Flora, Francisco Nunes e esposa Isabel Urbano. (15) Sigo e entro pela Travessa do Calvário, tendo à esquerda, as traseiras do velho Lagar e á direita a casa e a Moagem de trigo de João Alentejano, e assim chego à estrada dos Gorjões, onde segue à minha direita um muro, (16) e pegado a este a casa do carpinteiro João Zacarias e a oficina de bicicletas de João Ramos (17) e em frente destes, no outro lado da estrada, a oficina de abegão de Virgílio Canelas. (18)

Aqui volto para trás, pela Rua Vicente de Brito e encontro, sempre à minha direita, o sapateiro Miguel Coelho e pegado a este a casa onde vive Fernando V. Brito e família, porta 9, outrora escola primária feminina.(19) Pegado com este o alfaiate e regedor da freguesia, Florivál Coelho, cujo filho, Amílcar, também anda na escola comigo, seguindo-se a casa da viúva e proprietária, Tereza Brito Lopes (Terezinha) com as suas duas auxiliares. (20)

Aqui entrando na Av. Duarte Pacheco, com a torre da igreja pela minha frente, tenho à minha direita, casa do proprietário António Vidal, que pega com Terezinha Lopes, vindo depois as casas dos proprietários José Domingues, Matias Mendonça, empreiteiro Manuel J. Pinto e finalmente, a do comerciante e barbeiro, Abílio Garrochinho, (21) casa que faz esquina com a Rua Pires Laranjeira, onde vive na segunda porta desta rua, à direita, M. Glória Cavaco com os seus dois filhos, cujo marido está emigrado na Austrália. (22)

Aqui continuo em frente e entro no Largo do Rossio e tenho na casa de esquina a barbearia e depósito de tabaco do comerciante Abílio Garrochinho (23) e pegado a este a casa do barbeiro Inácio Garrochinho e de sua esposa, a modista Maria Virgilia.

Subindo uns quantos degraus, em direção ao adro da igreja, está a latoaria de Armando da Luz (Pató) (24) e a seguir vem a casa da Ti Justina Cavaco, e na casa que pega com a igreja tenho a alfaiataria Barros. (25)

Entro no adro, contorno a torre, passo pela porta principal da igreja, à minha esquerda deixo as escadas de acesso ao Jardim Guerreiro da Ângela e na minha frente tenho a casa de Bernardina dos Santos, viúva do sapateiro Manuel Henrique, e à esquerda destas, vive o carteiro Joaquim Antão. (26)

Volto à direita, entro na Rua da Igreja e nas traseiras do templo tenho a Largo Alves da Costa, antigo pátio de recreio da escola mista, onde eu também brincava, com sua enorme palmeira ao meio, que pega com a antiga escola primária, porta 3, e residência do falecido professor José F. Leitão, e na frente desta vive o latoeiro, Ti Carrasquinho e sua mulher Constança de Jesus. (27)

Aqui volto à esquerda e entro na Rua Pires Laranjeira, onde à minha esquerda vive a Ti Passinha e à direita está Joaquina Padeira e a sede do Sport Clube Nexense, porta 16, (28) e a seguir vivem várias famílias como: José e Délmira Vicente “Palaio”, Graciete Figueiras, Chico Mendes, Maria Martins, Maria Clara, José da Costa e a oficina artigos fúnebres de Luís Viegas. (29)

À direita, no fundo da rua, o Caminho da Recova, com o poço dos Defuntos também à direita, (30) e aí volto à esquerda, em direção à Rua de Loulé.

A meio, à esquerda, o depósito de material do armazenista Manuel Sebastião e as escadas que dão acesso à Rua da  Igreja . Ao fim da rua, no canto à direita, a casa onde vive o ferrador Luís Viegas e esposa Piedade com as filhas (31), e na minha frente, Anófra Luz e José Condinho, e pegado a este, uma passagem e a casa do pedreiro José Palmeira e no outro lado da rua, as escadas de acesso ao Jardim G. Ângela, onde vejo ao fundo do mesmo a linda torre de ventilação da cisterna.

Aqui entro no Largo do Rossio, praça pública da aldeia, e tenho à direita a Sociedade Recreativa Nexense, porta 11, e a seguir a Casa Paroquial, porta 12, (32) onde reside agora o novo pároco, Crisante Ribas, e na frente desta, a casa de correção “cadeia” e as   escadas de acesso à igreja matriz.

Depois da Casa Paroquial e da passagem para as traseiras da mesma, vem a casa dos comerciantes José André e M. Fazenda, (33) que faz esquina com a Rua de Faro. Uma vez nesta rua, desço em direção ao cemitério, e tenho a barbearia do jovem António H. Calçada, (34) a oficina do ferrador de Luís Viegas, a residência de Manuel Jerónimo, encarregado o Registo Civil e a Ti Augusta, seguindo-se depois o Posto  do Registo Civil, porta 24. (35)

Continuando a descer tenho a casa do casal José Pedro Brito “Gurriapa” e Francisca Ladeira, comerciantes de ovos e mais abaixo a casa de Joaquim S. Faria e Gertrudes Correia. (36) Aqui atravesso a rua e tenho e tenho no outro lado a casa do latoeiro, António Cruz.

Subo a rua em direção ao Largo do Rossio, tenho à direita o Caminho do Albardeiro e a casa do albardeiro Joaquim Neto e pegando com este a casa do sapateiro J. Fonseca Padeiro. (37)

Na casa que se segue, vive a professora da escola primária feminina, D. Manuela Vairinho (38) e a seguir a uma passagem tenho as casas onde vive e trabalha o albardeiro Virgílio Rosa (39) vindo depois a porta da viúva de Manuel Neto, (Ti Rosa Albardeira), e onde eu dou por terminado o passeio para entregar a redação à minha professora Celestina e, hoje, na posse dos leitores onde podem fazer uma comparação com atualidade.

Coelho Mestre


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