Estávamos em 1960, andava eu na
escola, quando a nossa professora Celestina, desafiou os seus alunos a
apresentarem uma redação sobre os vizinhos da nossa aldeia, ou seja, todos
aqueles que habitavam no perímetro do centro urbano, conforme se vê na gravura.
Hoje
passados todos estes anos, convindo a quem estiver a ler este texto, a
deambular comigo neste passeio que dei por esta bonita aldeia de Santa Bárbara, caiada de
branco, de artérias em calçada e de terra batida, iluminação pública fraca, sem
saneamento básico e onde existem meia dúzia de automóveis, outras tantas
televisões, cinco telefones e onde o sino tocava pela manhã para a missa e o relógio da torre, só tocava horas, se lhe dessem corda.
Então,
saindo eu do pátio de recreio da escola e pisando o lancil, virei em direção ao
Largo do Rossio, e fui identificando tudo aquilo que estava à minha direita,
encontrando logo o estabelecimento de taberna e mercearia do comerciante Amadeu
Guerreiro e M. Pires. (1)
Faço a esquina em direção ao nascente, e tenho
logo a loja de tecidos e também mercearia do comerciante Francisco Inácio. (2)
Passando este, tenho a casa do capataz de obras, José da Luz, pai da minha
colega de escola, Zezinha. (3)
A
seguir tenho uma passagem que dá acesso à padaria do comerciante, F. Inácio e entro na Av. Duarte Pacheco, onde está também a residência deste. (4) Pegando com esta, a casa do seu irmão
António, também ele aqui estabelecido com um talho, uma funerária e um carro de praça. (5)
Aqui uma outra
passagem para uma outra casa mais recuada, da família Cachopa, e a seguir uma casinha baixinha
onde vive a Ti Rana. (6) Pegado
com esta a casa do construtor civil e presidente da Junta de Freguesia de S. B. Nexe, José Mendes Pereira, e também a Estação dos
Correios, porta 24, onde a sua esposa, Maria Augusta, é funcionária há já alguns anos.
Depois temos a taberna de Joaquim Pereira “canito” e esposa, Augusta Luz, (7) e entro na Rua Vicente de Brito. Pegada a esta, a
oficina de bicicletas de António C. Coelho, que vive por cima, no primeiro andar,
e depois vem a casa do camionista, José Coelho “Enturrejão”, antigo emigrante na Venezuela, onde vive com a sua filha Fernanda.
Aqui entro no Largo
Lopes Rosa, (8)
de onde sai um caminho que dá acesso à casa de José Silveira (9)
e ao fundo tenho a família de Joaquim R. Barreto.
Seguindo pela Rua
V. Brito, tenho a oficina de bicicletas de Fernando Vicente de Brito e pegado
com esta, a Junta de Freguesia e o Posto médico, portas 10/12), e a seguir o ferrador José Viegas “Salmoira”.
À esquerda, o portão do antigo Lagarde azeite da família Vicente de Brito. (10)
Aqui entro pela Rua do Calvário, onde vive
Lucrécia Beirão e família, cujo marido, antigo produtor de cal, está emigrado
em terras de França. A seguir a esta, a casa da viúva Francisca Passinha que
vive com os seus dois filhos, António e Délmira e à esquerda, já na esquina, a
escola paga de Délmira Passinha. (11)
Continuo em
direção ao Poço Mouro, (12) e tenho à minha direita o caminho da Bajanca, e mais à frente, a casa onde vive Maria Luisa "Ti Marijoana" com os
seus quatro netos, um deles minha colega de escola, M. Albertina. (13)
Na frente desta, no outro lado da rua, o sapateiro Júlio Botelho (Julinho)
(14)
e a seguir a Ti Teresa Caiada que vive com o seu filho Miguel Coelho “Lapão” e
pegado a esta, mais à frente, Gertrudes Botelha e a sua afilhada Maria.
Aqui, volto para
trás e tenho à minha direita um beco onde vive Emília Canelas e família, cuja
filha Matilde, é também minha colega de escola, Teresa Flora, Francisco Nunes e esposa Isabel Urbano. (15)
Sigo e entro pela Travessa do Calvário, tendo à esquerda, as traseiras do velho
Lagar e á direita a casa e a Moagem de trigo de João Alentejano, e assim chego à
estrada dos Gorjões, onde segue à minha direita um muro, (16) e pegado a este a casa
do carpinteiro João Zacarias e a oficina de bicicletas de João Ramos (17) e
em frente destes, no outro lado da estrada, a oficina de abegão de Virgílio
Canelas. (18)
Aqui volto
para trás, pela Rua Vicente de Brito e encontro, sempre à minha direita, o
sapateiro Miguel Coelho e pegado a este a casa onde vive Fernando V. Brito e família, porta 9, outrora escola primária feminina.(19) Pegado com este o alfaiate e regedor da freguesia, Florivál Coelho, cujo filho, Amílcar, também anda na escola comigo, seguindo-se a
casa da viúva e proprietária, Tereza Brito Lopes (Terezinha) com as suas duas auxiliares. (20)
Aqui entrando
na Av. Duarte Pacheco, com a torre da igreja pela minha frente, tenho à minha
direita, casa do proprietário António Vidal, que pega com Terezinha Lopes,
vindo depois as casas dos proprietários José Domingues, Matias Mendonça, empreiteiro
Manuel J. Pinto e finalmente, a do comerciante e barbeiro, Abílio Garrochinho, (21)
casa que faz esquina com a Rua Pires Laranjeira, onde vive na segunda porta
desta rua, à direita, M. Glória Cavaco com os seus dois filhos, cujo marido está emigrado
na Austrália. (22)
Aqui continuo
em frente e entro no Largo do Rossio e tenho na casa de esquina a barbearia e
depósito de tabaco do comerciante Abílio Garrochinho (23) e pegado a este a casa
do barbeiro Inácio Garrochinho e de sua esposa, a modista Maria Virgilia.
Subindo uns quantos degraus, em direção ao
adro da igreja, está a latoaria de Armando da Luz (Pató) (24) e
a seguir vem a casa da Ti Justina Cavaco, e na casa que pega com a igreja tenho
a alfaiataria Barros. (25)
Entro no adro,
contorno a torre, passo pela porta principal da igreja, à minha esquerda deixo
as escadas de acesso ao Jardim Guerreiro da Ângela e na minha frente tenho a
casa de Bernardina dos Santos, viúva do sapateiro Manuel Henrique, e à esquerda
destas, vive o carteiro Joaquim Antão. (26)
Volto à
direita, entro na Rua da Igreja e nas traseiras do templo tenho a Largo Alves
da Costa, antigo pátio de recreio da escola mista, onde eu também brincava, com
sua enorme palmeira ao meio, que pega com a antiga escola primária, porta 3, e residência do
falecido professor José F. Leitão, e na frente desta vive o latoeiro, Ti Carrasquinho e
sua mulher Constança de Jesus. (27)
Aqui volto à
esquerda e entro na Rua Pires Laranjeira, onde à minha esquerda vive a Ti
Passinha e à direita está Joaquina Padeira e a sede do Sport Clube Nexense, porta 16, (28)
e a seguir vivem várias famílias como: José e Délmira Vicente “Palaio”,
Graciete Figueiras, Chico Mendes, Maria Martins, Maria Clara, José da Costa e a
oficina artigos fúnebres de Luís Viegas. (29)
À direita, no
fundo da rua, o Caminho da Recova, com o poço dos Defuntos também à
direita, (30)
e aí volto à esquerda, em direção à Rua de Loulé.
A meio, à
esquerda, o depósito de material do armazenista Manuel Sebastião e as escadas que dão acesso à Rua da Igreja . Ao
fim da rua, no canto à direita, a casa onde vive o ferrador Luís Viegas e
esposa Piedade com as filhas (31), e na minha frente, Anófra Luz e José Condinho, e
pegado a este, uma passagem e a casa do pedreiro José Palmeira e no outro lado
da rua, as escadas de acesso ao Jardim G. Ângela, onde vejo ao fundo do mesmo a linda torre de ventilação da cisterna.
Aqui entro no
Largo do Rossio, praça pública da aldeia, e tenho à direita a
Sociedade Recreativa Nexense, porta 11, e a seguir a Casa Paroquial, porta 12, (32) onde reside agora o novo pároco,
Crisante Ribas, e na frente desta, a casa de correção “cadeia” e as escadas de acesso à igreja matriz.
Depois da Casa
Paroquial e da passagem para as traseiras da mesma, vem a casa dos comerciantes
José André e M. Fazenda, (33) que faz esquina com a Rua de Faro. Uma
vez nesta rua, desço em direção ao cemitério, e tenho a barbearia do jovem
António H. Calçada, (34) a oficina do ferrador de Luís Viegas, a
residência de Manuel Jerónimo, encarregado o Registo Civil e a Ti Augusta,
seguindo-se depois o Posto do Registo Civil, porta 24. (35)
Continuando a
descer tenho a casa do casal José Pedro Brito “Gurriapa” e Francisca
Ladeira, comerciantes de ovos e mais abaixo a casa de Joaquim S. Faria e
Gertrudes Correia. (36) Aqui atravesso a rua e tenho e tenho no
outro lado a casa do latoeiro, António Cruz.
Subo a rua em
direção ao Largo do Rossio, tenho à direita o Caminho do Albardeiro e a casa do
albardeiro Joaquim Neto e pegando com este a casa do sapateiro J. Fonseca
Padeiro. (37)
Na casa que se
segue, vive a professora da escola primária feminina, D. Manuela Vairinho (38)
e a seguir a uma passagem tenho as casas onde vive e trabalha o albardeiro
Virgílio Rosa (39) vindo depois a porta da viúva de Manuel Neto, (Ti Rosa Albardeira), e onde eu
dou por terminado o passeio para entregar a redação à minha professora
Celestina e, hoje, na posse dos leitores onde podem fazer uma comparação com
atualidade.