segunda-feira, 30 de março de 2026



 


OS VIZINHOS DA MINHA ALDEIA EM 1960

Andava eu na escola, quando a nossa professora Celestina, desafiou os seus alunos a apresentarem uma redação sobre os vizinhos da nossa aldeia, ou seja, todos aqueles que habitavam no perímetro do centro urbano, conforme se vê na gravura.

            Hoje passados todos estes anos, convindo a quem estiver a ler este texto, a deambular comigo neste passeio que vou dar por esta bonita aldeia caiada de branco, de artérias em calçada e de terra batida, iluminação pública fraca, sem saneamento básico e onde existem meia dúzia de automóveis, outras tantas televisões e cinco telefones, que é Santa Bárbara de Nexe.

            Então, saindo eu do pátio de recreio da escola e pisando o lancil, virei em direção ao Largo do Rossio, e fui identificando tudo aquilo que estava à minha direita, encontrando logo o estabelecimento de taberna e mercearia do comerciante Amadeu Guerreiro e M. Pires. (1)

 Faço a esquina em direção ao nascente, e tenho logo a loja de tecidos e também mercearia do comerciante Francisco Inácio. (2) Passando este, tenho a casa do capataz de obras, José da Luz, pai da minha colega de escola, Zezinha. (3)

            A seguir tenho uma passagem e entro na Av. Duarte Pacheco, onde está a padaria, também de F. Inácio e a sua residência. (4) Pegando com esta, a casa do seu irmão António, que tem um talho, é agente funerário e proprietário do primeiro carro de praça da freguesia. (5)

Aqui uma outra passagem para uma outra casa mais recuada, da família Carrajola, e a seguir uma casinha baixinha onde vive a Ti Rana. (6) Pegado com esta a casa do construtor civil e presidente da Junta de Freguesia, José Mendes Pereira, e também a Estação dos Correios, onde a sua esposa é funcionária há já alguns anos.

           Depois temos a taberna da D. Maria Augusta “canito(7) e entro na Rua Vicente de Brito. Pegada a esta, a oficina de bicicletas de António Coelho, que vive por cima, no primeiro andar, e depois vem a casa de José Coelho “Enturrejão”.

Aqui entro no Largo Lopes Rosa, (8) de onde sai um caminho que dá acesso à casa de José Silveira (9) e ao fundo tenho a família de Joaquim R. Barreto.

Seguindo pela Rua V. Brito, tenho a oficina de bicicletas de Fernando Vicente de Brito e pegado com esta, a Junta de Freguesia e a seguir o ferrador José Viegas “Salmoira”. À esquerda, o portão do antigo Lagar da família Vicente de Brito. (10)

 Aqui entro pela Rua do Calvário, onde vive Lucrécia Beirão e família, cujo marido, antigo produtor de cal, está emigrado em terras de França. A seguir a esta, a casa da viúva Francisca Passinha que vive com os seus dois filhos, António e Delmira e à esquerda, já na esquina, a escola paga de Delmira Passinha. (11)

Continuo em direção ao Poço Mouro, (12) e tenho à minha direita um caminho que vai ter à Bajanca, e mais à frente, a casa onde vive a Ti Maria Joana com os seus quatro netos, um deles minha colega de escola, M. Albertina. (13) Na frente desta, no outro lado da rua, o sapateiro Júlio Botelho (Julinho) (14) e a seguir a Ti Teresa Caiada que vive com o seu filho Miguel Coelho “Lapão” e pegado a esta, mais à frente a Sr.ª Gertrudes Botelha.

Aqui, volto para trás e tenho à minha direita um beco onde vive Emília Canelas e família, cuja filha Matilde, é também minha colega de escola, Teresa Flora e Maria Padeira. (15) Sigo e entro pela Travessa do Calvário, tendo à esquerda, as traseiras do velho Lagar e á direita a casa e a Moagem de trigo de João Alentejano, e assim chego à estrada de São Brás, onde segue à minha direita um muro, (16) e pegado a este a casa do carpinteiro João Zacarias e a oficina de bicicletas de João Ramos (17) e em frente destes, no outro lado da estrada, a oficina de abegão de Virgílio Canelas. (18)

Aqui volto para trás, pela Rua Vicente de Brito e encontro, sempre à minha direita, o sapateiro Miguel Coelho e pegado a este a casa onde vive Fernando V. Brito, outrora escola primária feminina.(19) Pegado com este o alfaiate e regedor da freguesia, Florival Coelho, cujo filho, Amílcar, também anda na escola comigo, seguindo-se a casa da viúva e proprietária, Tereza Brito Lopes (Terezinha). (20)

Aqui entrando na Av. Duarte Pacheco, com a torre da igreja pela minha frente, tenho à minha direita, casa do proprietário António Vidal, que pega com Terezinha Lopes, vindo depois as casas dos proprietários José Domingues, Matias Mendonça, empreiteiro Manuel J. Pinto e finalmente, a do   comerciante e barbeiro Abílio Garrochinho, (21) casa que faz esquina com a Rua Pires Laranjeira, onde vive na segunda porta desta rua, à direita, M. Glória Cavaco com os seus dois filhos, cujo marido está emigrado na Austrália. (22)

Aqui continuo em frente e entro no Largo do Rossio e tenho na casa de esquina a barbearia e depósito de tabaco do comerciante Abílio Garrochinho (23) e pegado a este a casa do barbeiro Inácio Garrochinho e de sua esposa, a modista Maria Virgília.

 Subindo uns quantos degraus, em direção ao adro da igreja, está a latoaria de Armando da Luz (Pató) (24) e a seguir vem a casa da Ti Justina Cavaco, e na casa que pega com a igreja tenho a alfaiataria Barros. (25)

Entro no adro, contorno a torre, passo pela porta principal da igreja, à minha esquerda deixo as escadas de acesso ao Jardim Guerreiro da Ângela e na minha frente tenho a casa de Bernardina dos Santos, viúva do sapateiro Manuel Henrique, e à esquerda destas, vive o carteiro Joaquim Antão. (26)

Volto à direita, entro na Rua da Igreja e nas traseiras do templo tenho a Largo Alves da Costa, antigo pátio de recreio da escola mista, onde eu também brincava, com sua enorme palmeira ao meio, que pega com a antiga escola e residência do falecido professor Leitão, e na frente desta vive o latoeiro, Ti Carrasquinho e sua mulher Constança de Jesus. (27)

Aqui volto à esquerda e entro na Rua Pires Laranjeira, onde à minha esquerda vive a Ti Passinha e à direita está Joaquina Padeira e a sede do Sport Clube Nexense no n.º 16, (28) e a seguir vivem várias famílias como: José e Delmira Vicente “Palaio”, Graciete Figueiras, Chico Mendes, Maria Martins, Maria Clara, José da Costa e a oficina artigos fúnebres de Luís Viegas. (29)

À direita, no fundo da rua, o Caminho do Marufo, Recova, com o poço dos Defuntos também à direita, (30) e aí volto à esquerda, em direção à Rua de Loulé.

A meio, à esquerda as escadas que dão acesso à igreja, e a loja de Manuel Sebastião. Ao fim da rua, no canto à direita, a casa onde vive o ferrador Luís Viegas e esposa Piedade com as filhas e na minha frente Anófra Luz e José Condinho, e pegado a este, uma passagem e a casa do pedreiro José Palmeira e no outro lado da rua, as escadas de acesso ao Jardim G. Ângela.

Aqui entro no Largo do Rossio, praça pública da aldeia, e tenho à direita a porta da Sociedade Recreativa Nexense e a seguir a Casa Paroquial, (32) onde reside agora o novo pároco, Crisante Ribas, e na frente desta, a casa de correção “cadeia” e as   escadas de acesso à igreja matriz.

Depois da Casa Paroquial e da passagem para as traseiras da mesma, vem a casa dos comerciantes José André e M. Fazenda, (33) que faz esquina com a Rua de Faro. Uma vez nesta rua, desço em direção ao cemitério, e tenho a barbearia do jovem António H. Calçada, (34) a oficina do ferrador de Luís Viegas, a residência de Manuel Jerónimo, encarregado o Registo Civil e a Ti Augusta, seguindo-se depois a casa do Registo Civil. (35)

Continuando a descer tenho a casa do casal José Pedro Brito “Gurriapa” e Francisca Ladeira, comerciantes de ovos e mais abaixo a casa de Joaquim S. Faria e Gertrudes Correia. (36) Aqui atravesso a rua e tenho e tenho no outro lado a casa do latoeiro, António Cruz.

Subo a rua em direção ao Largo do Rossio, tenho à direita o Caminho do Albardeiro e a casa do albardeiro Joaquim Neto e pegando com este a casa do sapateiro J. Fonseca Padeiro. (37)

Na casa que se segue, vive a professora da escola primária feminina, D. Manuela Vairinho (38) e a seguir a uma passagem tenho as casas onde vive e trabalha o albardeiro Virgílio Rosa (39) vindo depois a porta da Ti Rosa Albardeira e onde eu dou por terminado o passeio para entregar a redação à minha professora Celestina e, hoje, na posse dos leitores onde podem fazer uma comparação com atualidade.

Coelho Mestre

 

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